Illuminations (1999-2019)

É, tudo na vida tem um fim. Enquanto somos bombardeados por anúncios de intermináveis reformas e novas adições aos parques pela Disney, velhos lugares e shows que têm um espacinho em nossos corações vão ficando para trás e, eventualmente, encontram o seu fim. Depois de incríveis 20 anos, chegou a vez do nosso querido Illuminations. Espero que vocês gostem da nossa história hoje. Illuminations: Reflections of Earth, uma homenagem.

Confesso que quando visitei o Epcot pela primeira vez, em 2008, não entendi a mensagem do show, muito menos o que estava acontecendo ali no lago do World Showcase. “De onde vinha aqueles fogos? Não entendi todos esses canhões. Espera aí, o que está passando ali naquele globo ambulante todo brilhando?”

Era muita informação. Dos tradicionais shows da época que encerravam o dia dos parques, foi o que menos me chamou atenção. Não era coincidência que se tratava do único que não tinha um segundo de Disney IP (propriedade intelectual), nenhum uso de músicas de filmes e desenhos da empresa.

Exibido sobre as águas da lagoa do World Showcase, uma área de mais de 160 mil metros quadrados e 11 pavilhões de distintas nações, o espetáculo representava toda a ideia de união entre os países do mundo, de compartilhamento de culturas, tradições e costumes por um bem maior. A preservação da história da arte e, sobretudo, da humanidade.

Um show inteiro dedicado à arte, às invenções, à união e ao legado do ser humano, em pleno 2019? Sem nenhuma música original de algum filme, nem sinal da Disney? Sério? Pensando agora, após o show se despedir de nós, era mesmo único, uma raridade. O fato de ele ter chegado até 2019 foi um milagre, em um tempo em que tudo vira IP da Disney.

Eis que em 2016, toda essa minha percepção do Illuminations mudou completamente. Durante meu primeiro intercâmbio por lá, recebi a oportunidade de trabalhar na área de Fastpass, local especial de observação do show, onde auxiliava na organização em 17 posições diferentes.

Quando na vida você temos a oportunidade de sair do trabalho e curtir um show fogos de artifício? Acompanhado de música orquestrada? Repetidas vezes por semana? Até parece. Eu não fazia ideia de que poderíamos trabalhar lá fora, durante os fogos, e foi talvez a maior surpresa que tive por lá.

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Equipe do Figment e The Land reunidos para mais um show

Aos poucos, o Illuminations foi se tornando o melhor show de fogos dos parques para mim. Ainda mais depois que assisti ao Holiday Special, show especial de fim de ano com a mensagem de paz mundial….não tinha espetáculo melhor que esse no mundo.

O treinamento foi bem fácil, eu só fiquei conversando com o treinador sobre Pokémon, videogames e festas (sério!). Era um sul-africano muito gente boa e engraçado que trabalhava no Soarin’. O esquema era ler a descrição da sua posição de trabalho e se virar lá fora pelo World Showcase Plaza, local do Fastpass que ficava mais perto do show central do lago.

Depois de fechar os brinquedos, eu descobria onde trabalharia na noite. Enrolava um tempão com meus coworkers antes de ir pra breakroom do Innoventions, onde passava sempre pelo Electric Umbrella, restaurante mais amor do Epcot. Eu tinha muitos amigos lindos brasileiros lá que salvaram minha janta várias vezes.

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Buscando nossas luvas no queridíssimo Electric Umbrella

O show era sempre às 21h em janeiro, em dezembro era mais tarde. Alguns dias caí no Set-up, quando chegava mais cedo e era responsável por fechar e montar toda a área do Fastpass aos visitantes.

Me divertia muito fazendo isso com meus amigos! Adorava levar o carrinho com todos os instrumentos e colocar as fitas no chão, pedindo licença enquanto me esbarrava nas pessoas pelo caminho. Quando não era Set-up eu chegava mais tarde, por volta das 20h e conversava com a galera até o coordenador mandar cada um ao seu lugar.

Cheguei a trabalhar no Illuminations por cinco dias seguidos. No total, foram mais de 20 vezes. A trilha sonora vai me arrepiar e me emocionar pra sempre, não tem mais volta. Ganhei muitas histórias pra contar.

Eu conversava demais com os visitantes e conheci muita gente maravilhosa do mundo inteiro. Em janeiro, já sabia de cor o timing dos fogos com a música, me sentia o próprio Mickey Feiticeiro do Fantasmic, orquestrando a música com as minhas mãos. Uma vez paguei um micão, olhei pra trás e uma família inteira estava olhando para mim e dando risada!

Quando eu checava as reservas dos visitantes logo na entrada,  procurava alguém ou um casal com botton de feliz aniversário ou de casamento do lado de fora, chamava para dentro e fingia que escaneava as magic bands deles.

Famílias brasileiras então, entravam quase todas. No geral, se tinha espaço suficiente para caber todo mundo e eram educados e gentis com a gente, entravam. Nem lembro quantos amigos eu deixei entrar. Os coordenadores não ligavam muito, só no começo que era mais lotado e era preciso mais cautela, mas depois fui me soltando e chamava o povo mesmo, não queria saber. Ouvir “obrigado, você fez o meu dia!” de uma pessoa…a gente trabalha para isso!

O Epcot vendia bastante bebidas alcóolicas e muita gente bêbada aparecia por lá de vez em quando. Uma mulher chegou a gritar comigo e me empurrar, só dei risada e disse que ela tinha o World Showcase inteiro para assistir aos fogos, o resto da família dela estava sóbrio (ufa!) e a tirou de lá.

Terminados os fogos, nos reuníamos de um dos lados das fontes d’água, no caminho da da saída do parque. Aqui, nós usávamos luvas do Mickey e do Buzz Lightyear, acenando e desejando boa noite aos visitantes.

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O chamado “waving” – memórias inesquecíveis com essas luvas

O último show que eu vi pessoalmente se passou em 21 de agosto de 2018, durante o fim do meu segundo intercâmbio, bem na beira dos docks próximos ao México, na lagoa do World Showcase. Cortesia garantida pelo Mark, nosso tão amado manager.

Ao lado dos meus amigos e também amados park greeters, nós cantamos e choramos naquele que era nosso último dia de trabalho. Um desfecho grandioso para o nosso verão, nunca estive tão perto do show central da lagoa. Foi verdadeiramente inesquecível.

Criado para acompanhar a virada do milênio, em outubro de 1999, o sucesso do show foi tão grande que permaneceu até outubro de 2019.

Com a belíssima composição de Gavin Greenaway e os marcantes vocais de Kellie Coffey, o show irá continuar nos corações de cada cast member, que teve a oportunidade de terminar seu cansativo dia de trabalho abraçado por um espetáculo.

We go on…

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